Caminhoneiros bloqueiam parcialmente rodovias pelo país

Segundo boletim do Ministério da Infraestrutura, não há registro de bloqueio total de rodovias; pontos de retenção em SC que ameaçavam abastecimento foram liberados

Foto: Chico Ferreira/Futura Press/Estadão Conteúdo


Caminhoneiros fazem  bloqueios parciais em rodovias de pelo menos quinze estados do país, de acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Infraestrutura.

Segundo o ministério da infraestrutura, até às 08h desta quinta-feira (9), os caminhoneiros estavam concentrados em pelo menos 15 estados, com 10% de redução de ocorrência desde o último boletim da madrugada. Sendo que em Santa Catarina, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Bahia foram registrados 8 bloqueios parciais de rodovias. Em São Paulo, o Rodoanel foi liberado.

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O ministério ainda afirma que alguns pontos de retenção na região norte de Santa Catarina, onde a mobilização chegou a ameaçar condições de abastecimento, foram liberados por equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

“Todos os pontos de bloqueio registrados no Rio Grande do Sul e em São Paulo foram liberados. Há duas ocorrências de interdição em Minas Gerais e a PRF já está no local atuando”, informou a pasta, em nota.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) divulgou uma nota de repúdio às paralisações, segundo ela, organizadas por caminhoneiros autônomos.

“Trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos”, diz o texto da associação, assinado pelo presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio.

A entidade, que congrega cerca de 4 mil empresas de transporte, disse ainda estar preocupada com os efeitos que o bloqueio nas rodovias poderão causar, especialmente em relação ao abastecimento dos setores de produção e comércio.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, avalia que o movimento é de cunho político com participação de empresários de transporte e seus funcionários celetistas, e não de transportadores autônomos.

“Os caminhoneiros estão sendo usados como massa de manobra”, disse Chorão, que foi um dos principais líderes da categoria na greve de 2018. “Está claro que a pauta não é da categoria”.

O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Carlos Dahmer, relatou ter visto alguns pontos de manifestações de caminhoneiros, “conforme era esperado” diante de manifestações de Bolsonaro.

“Vimos veículos do agronegócio, como tratores e máquinas agrícolas, e a ala de patriotas apoiadores do presidente Bolsonaro. O transportador autônomo vai continuar tentando trabalhar”, disse.

A CNTTL enviou recentemente ofício ao presidente do STF, Luiz Fux, repudiando atos “extremistas”, as declarações do cantor Sérgio Reis e do que chamou de “pseudo lideranças” de caminhoneiros, dizendo que não compactua com atos antidemocráticos.

Com informações do Estadão Conteúdo e de Elisabeth Matravolgyi, da CNN, em São Paulo

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