Médicos intensivistas relatam estresse e cansaço com avanço das internações em Salvador

Profissionais se queixam de rotina puxada e abalos psicológicos com novo pico de casos

Foto: Paula Fróes/GOVBA


“A sensação é de estar vivendo no limite. Estamos cansados. Quando a gente pensa que não tem mais como dar gás, volta a piorar”. O relato é do médico intensivista Rafael Damásio que se divide em plantões em duas instituições privadas de saúde baianas. O profissional conta que, após um momento de pico da segunda onda, os hospitais chegaram a perceber uma melhora, mas os números já vem aumentando novamente nas últimas duas semanas.

Depois de um ano, o médico percebe algumas mudanças na realidade de quem enfrenta o coronavírus diariamente. “Apesar de os números serem maiores, para os médicos há um certo grau de costume no que diz respeito à rotina. Muita coisa que, lá no início a gente sofria, gastava muita energia. Nos acostumamos com as incertezas, sabemos lidar melhor com o ritmo de trabalho”, opina. A mudança, no entanto, não torna o enfrentamento mais fácil. “Quando começou a reduzir, a mente da gente já tinha entendido que tinha passado e de repente volta tudo. Eu mesmo precisei reduzir minha carga horária. Antes conseguia aguentar um ritmo que agora não é possível. Uma hora de plantão na pandemia é muito mais pesada que uma hora que tinhamos antes”, relata.

Também intensivista, o médico Bruno Badaró, se divide nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de três hospitais privados da capital baiana. “No pico desta segunda onda os hospitais chegaram a lotar, a ter as emergências abarrotadas. Passamos por uma melhora recentemente, mas que já está voltando a crescer de novo”. O médico explica que o risco de colapso nas unidades privadas ainda pode contar com algumas manobras. “Os hospitais ainda tem unidades que podem, se a necessidade vier, transformar de novo em exclusiva de Covid”, detalha

Para Bruno, uma mudança perceptível desse ano de pandemia, além da redução de casos entre os profissionais, em razão da vacinação, está no estado psicológico dos profissionais. “Antes tínhamos muito medo, medo de voltar para casa, de levar o vírus, muita gente chegou a alugar hospedagem com medo de contaminar a família. Agora estamos cansados” relata.

Metro1

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