Criança autista é resgatada após ser mantida em canil; mãe e avó são presas

Menino, de 8 anos, foi resgatado com vários ferimentos pelo corpo, desnutrido e desidratado

Foto: Divulgação/Polícia Civil


O menino autista de 8 anos, que foi resgatado pela polícia na Baixada Fluminense com sinais de maus-tratos, vivia em um cubículo, numa espécie de galinheiro, e sem comida e água, segundo a polícia. A mãe e a avó materna da criança foram presas em flagrante.

A criança foi achada em uma casa na comunidade Gogó da Ema, em Belford Roxo, após denúncias de vizinhos.

Segundo o delegado Alexandre Neto, que acompanhou o caso, o menino era mantido isolado.

“A criança era mantida em cárcere privado, isolada das demais crianças, sem água, sem alimentação. Foi encontrada suja, mal asseada, sem nenhuma condição, num local totalmente desumano. Na verdade, era um galinheiro que foi adaptado para colocar essa criança em cárcere, separada das demais”.

O menino foi achado com diversos ferimentos no corpo, desidratado e desnutrido. Ele foi levado para tratamento multidisciplinar e está internado. Seu quadro de saúde é delicado.

“A criança foi encontrada com ferimentos e equimoses de idade diversa, o que revela que essa criança vinha sofrendo maus-tratos há um bom tempo. Caracteriza, com certeza, a síndrome da criança espancada, o que demonstra que não era simplesmente maus-tratos, mas a criança era submetida a um intenso sofrimento físico”.

Menino, de 8 anos, foi resgatado com vários ferimentos pelo corpo, desnutrido e desidratado

Foto: Divulgação/Polícia Civil

A avó relatou à polícia que a criança ficava poucas horas no local.

“Mas sempre com um discurso inconsistente e incongruente, e que elas (a mãe e a avó) precisavam trabalhar. Mas isso não se justifica”.

A ação foi coordenada pela 54ª DP (Belford Roxo) em conjunto com o Conselho Tutelar de Belford Roxo. Além do menino, outros três irmãos estão sob cuidados do Conselho Tutelar.

Segundo a polícia, além do cárcere privado, a mãe e a avó do menino também foram indiciadas pelo crime de tortura. Se condenadas, somadas, as penas podem chegar a mais de 15 anos de prisão.

Mais cedo, o delegado José Mário Salomão disse ao G1 que o trabalho do Ministério Público da Infância de Belford Roxo foi fundamental para o resgate do menino.

“A promotora está fazendo um trabalho magnífico lá. Em menos de 10 dias ela já resgatou 6 crianças em situações de risco”, disse Salomão. As duas mulheres foram encaminhadas ao sistema prisional e ficarão à disposição da Justiça.

G1

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