Rabdomiólise: excesso de esforço e desidratação podem levar a graves lesões musculares e renais

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 13/03/2026, 10:25h

A prática de atividade física é essencial para a saúde. No entanto, quando realizada de forma intensa, sem preparo adequado ou sem hidratação suficiente, pode desencadear um problema grave e ainda pouco conhecido: a rabdomiólise. A doença ocorre quando há destruição das fibras musculares, liberando substâncias na corrente sanguínea que podem comprometer seriamente o funcionamento dos rins.

O tema tem chamado a atenção de especialistas, principalmente por casos associados a exercícios físicos intensos, altas temperaturas e desidratação — situações comuns entre atletas, praticantes de academia, militares e trabalhadores expostos ao calor.

Para esclarecer os riscos e orientar a população, o programa Giro Esportivo conversou com o nefrologista Dr. Saulo Rangel, referência na área de nefrologia.

Segundo o médico, a rabdomiólise acontece quando o músculo sofre algum tipo de lesão significativa. “Ela pode ocorrer após traumas, como acidentes ou esmagamento de membros, mas também pode surgir após exercícios físicos muito intensos, especialmente em pessoas que não têm preparo físico adequado”, explica.

Quando o músculo é lesionado, ele libera uma proteína chamada mioglobina na corrente sanguínea. Essa substância, ao chegar aos rins, pode provocar uma espécie de “entupimento” nos filtros naturais do organismo, dificultando a filtração do sangue e podendo levar à insuficiência renal.

“Dependendo da quantidade de mioglobina liberada e do grau da lesão muscular, a insuficiência renal pode variar de leve até quadros muito graves”, alerta o nefrologista.

Sinais de alerta

A rabdomiólise muitas vezes começa de forma silenciosa, mas alguns sintomas podem indicar que algo não está bem. Entre os principais sinais estão dores musculares intensas, fraqueza extrema, dificuldade para se movimentar e um cansaço fora do comum.

Outro sintoma bastante característico é a mudança na cor da urina.

“A urina pode ficar escura, com aspecto semelhante à cor de Coca-Cola. Isso acontece justamente pelo excesso de mioglobina sendo eliminada pelos rins”, explica o especialista.

Em alguns casos, também podem surgir febre, mal-estar e incapacidade de realizar atividades simples do dia a dia.

Ao perceber esses sintomas, principalmente após atividade física intensa, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de recuperação sem complicações.

Exercício sem preparo pode ser perigoso

Na prática hospitalar, muitos casos graves de rabdomiólise estão ligados a traumas, como acidentes automobilísticos. No entanto, no consultório, os especialistas têm observado uma realidade diferente: o aumento de casos relacionados ao exercício físico intenso.

“Isso acontece muito com pessoas que estão começando a treinar e já iniciam com atividades muito pesadas, sem orientação profissional e sem hidratação adequada”, afirma Dr. Saulo Rangel.

Treinos extremos, corridas longas, atividades militares intensas e exercícios em ambientes muito quentes também podem favorecer o surgimento da doença.

Além disso, outros fatores podem contribuir para o problema, como consumo excessivo de álcool, uso de drogas ilícitas, alguns medicamentos — como determinadas medicações para colesterol — e até infecções.

O risco para os rins

A principal complicação da rabdomiólise é a insuficiência renal aguda. Isso acontece quando os rins deixam de conseguir filtrar corretamente o sangue devido ao acúmulo de substâncias liberadas pelos músculos lesionados.

A desidratação é um dos fatores que mais aumentam esse risco.

“Quando a pessoa pratica atividade física intensa sem ingerir água suficiente, o organismo fica mais vulnerável e a chance de lesão renal aumenta consideravelmente”, explica o médico.

Em casos graves, os pacientes podem desenvolver alterações perigosas no organismo, como aumento do potássio no sangue, o que pode provocar arritmias cardíacas e até parada cardíaca.

Alguns pacientes também podem precisar de hemodiálise — procedimento que substitui temporariamente a função dos rins.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da rabdomiólise é feito a partir da avaliação clínica do paciente, análise dos sintomas e exames laboratoriais. Um dos principais exames é a dosagem da enzima CPK, que indica lesão muscular quando está muito elevada.

O tratamento, na maioria dos casos, consiste principalmente em hidratação intensa, muitas vezes com soro na veia, para ajudar o organismo a eliminar as substâncias tóxicas e proteger os rins.

“Quanto mais cedo iniciar o tratamento, menor o risco de desenvolver insuficiência renal”, destaca o nefrologista.

Como prevenir

  • Apesar de grave, a rabdomiólise pode ser evitada com medidas simples:
  • Manter hidratação adequada antes, durante e após atividades físicas
  • Iniciar exercícios de forma gradual, respeitando o limite do corpo
  • Buscar orientação de profissionais de educação física
  • Evitar treinos intensos em temperaturas muito altas
  • Fazer pausas durante atividades físicas prolongadas
  • Utilizar roupas adequadas que ajudem na dissipação do calor
  • Atenção aos sinais do corpo A dor muscular após um treino pode ser normal. No entanto, quando ela vem acompanhada de fraqueza intensa, urina escura ou cansaço extremo, o sinal de alerta deve ser ligado.

“A rabdomiólise pode evoluir para quadros graves e até levar à morte em situações mais severas. Por isso, reconhecer os sintomas e procurar atendimento rapidamente é fundamental”, reforça o especialista.

A mensagem dos médicos é clara: atividade física faz bem à saúde, mas precisa ser praticada com responsabilidade, orientação e hidratação adequada. Ouvir os sinais do corpo pode ser a diferença entre um treino saudável e um problema sério de saúde.

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