Dia de combate ao sedentarismo: Casos de obesidade disparam 118% no Brasil e governo anuncia programa de R$ 340 milhões
Foto: Secom PMVC
Nesta terça-feira (10), o Dia Nacional (e Mundial) de Combate ao Sedentarismo joga luz sobre uma epidemia silenciosa que está transformando o perfil de saúde dos brasileiros. Com a rotina cada vez mais dominada pelas telas e pelo trabalho sentado, o Brasil se consolidou como um dos países mais inativos da América Latina — e a conta desse comportamento chegou em forma de doenças crônicas.
Dados da nova pesquisa Vigitel 2025, divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam um cenário de alerta máximo. Entre 2006 e 2024, o número de adultos com obesidade no Brasil cresceu espantosos 118%. O salto também foi drástico em outras frentes: os diagnósticos de diabetes dispararam 135%, o excesso de peso subiu 47% e a hipertensão cresceu 31%.
O motor por trás dessa piora é a falta de movimento. Diferentes levantamentos epidemiológicos apontam que a inatividade afeta de 23% a 47% dos adultos brasileiros. Entre os jovens, o quadro é ainda mais grave: quatro em cada cinco adolescentes (81%) não praticam o mínimo necessário de atividades físicas.
"O organismo humano não foi projetado para permanecer parado por longos períodos", alertam os especialistas.
O perigo de ficar parado
Mas o que acontece no corpo quando passamos o dia todo sentados? Na linguagem médica, o sedentarismo causa "resistência à insulina, aumento da inflamação e disfunção endotelial". Na prática, isso significa que o corpo passa a queimar menos energia, perde o controle sobre os níveis de açúcar no sangue e começa a acumular gordura. É o cenário perfeito para o desenvolvimento de infartos, derrames e até alguns tipos de câncer.
A mudança de comportamento do brasileiro ajuda a explicar a crise. A pesquisa Vigitel mostrou que estamos caminhando menos no dia a dia. O hábito de se deslocar a pé para o trabalho ou escola caiu de 17% (em 2009) para apenas 11,3% atualmente, dando lugar ao transporte público ou aos carros. O sedentarismo também está roubando o sono da população: 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e quase 32% sofrem de insônia.
O problema vai na contramão de um esforço global. Um estudo recente da revista britânica The Lancet mostrou que, embora a mortalidade por doenças crônicas tenha caído em quase 80% dos países na última década, esse progresso começou a desacelerar no mundo todo, puxado pelo aumento de casos de demência e cânceres ligados ao estilo de vida.
Para tentar frear essa escalada de doenças, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a estratégia "Viva Mais Brasil". O pacote prevê um investimento de R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física.
O carro-chefe da iniciativa é a retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda este ano. A meta é revitalizar os 1.775 polos já existentes e credenciar mais 300 novas unidades até o final do ano, oferecendo espaços com equipamentos e orientação profissional de graça para a população.
"A implantação de espaços com equipamentos e profissionais orientando, vinculados aos postos de saúde, levou à redução do uso de medicamentos, inclusive ansiolíticos e antidepressivos", destacou Padilha ao anunciar as medidas.
Como sair da estatística?
A boa notícia para quem quer sair do sedentarismo é que não é preciso virar atleta da noite para o dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma meta acessível: 150 minutos de atividade moderada por semana.
Isso significa que 30 minutos de exercício, cinco vezes por semana, já são suficientes para tirar alguém do sedentarismo. Pode ser uma caminhada mais acelerada, um passeio de bicicleta, dança ou qualquer atividade que faça o coração bater mais rápido e a respiração ofegar levemente. Os médicos garantem: mais importante do que pegar pesado em um único dia, é criar a constância de se mover um pouco todos os dias.









