Casa do Estudante Quilombola tem funcionamento ameaçado e estudantes podem ser despejados

  • Francisco Sutério
  • Atualizado: 26/02/2026, 03:17h

Em sessão ordinária na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, nesta quarta-feira (25), o vereador Alexandre Xandó levou ao debate a decisão da Prefeitura de Vitória da Conquista (PMVC) de desativar a Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares, prevista para junho de 2025. Segundo informações apresentadas, a medida ocorre por fatores tanto burocráticos quanto estruturais do edifício, problemas enfrentados pelos atuais moradores desde então.

Após uma vistoria realizada pela Defesa Civil, em novembro de 2024, depois de uma forte chuva que comprometeu a estrutura do imóvel, foram apontadas irregularidades. Paralelamente, houve atraso no pagamento de meses de aluguel, que deveria ser efetuado pela prefeitura. Diante da inadimplência, o proprietário solicitou o imóvel de volta e ingressou com ação de desocupação.

A decisão de encerrar o funcionamento da Casa do Estudante tramita desde 30 de junho de 2025. No entanto, conforme relatado, a ordem para o fechamento do equipamento teria sido dada oito meses antes. Além das questões estruturais e do impasse judicial, a PMVC alega que a ausência de documentação necessária para a operação do local foi o principal motivo para que o pagamento não fosse realizado.

Fundada em 2008 pela Associação Cultural Agentes de Pastoral Negros (APNs), a Casa do Estudante Quilombola atende estudantes não apenas de Vitória da Conquista, mas majoritariamente de outros municípios. O espaço representa uma oportunidade para aqueles que não têm condições de arcar com aluguel mais elevado e permanecer na cidade para cursar o ensino superior.

Apesar de a situação já ter sido noticiada e debatida em canais oficiais e em portais da cidade, o tema não ganhou grande repercussão. Até o momento, a gestão municipal não informou quais medidas poderão ser adotadas para regularizar a situação da Casa Dandara dos Palmares nem o que acontecerá com os estudantes que atualmente residem no local, o que gera apreensão quanto à possibilidade de continuarem na faculdade.

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