Concessão da BR-116 exclui viadutos e acende alerta no Sudoeste Baiano: promessa de duplicação pode virar obra paliativa

  • Júnior Patente
  • Atualizado: 23/02/2026, 08:44h

A nova etapa da concessão da BR-116, no trecho que corta o sudoeste da Bahia, voltou a gerar indignação e preocupação entre lideranças regionais e usuários da rodovia. O alerta mais recente partiu de José Maria Caires, líder do movimento Duplica Sudoeste, que afirma ter tido acesso ao cronograma de obras da futura concessionária e aponta a ausência de intervenções consideradas fundamentais pela população.

De acordo com Caires, o documento lista uma série de melhorias previstas para o trecho administrado pela concessionária, mas não contempla a construção de viadutos em pontos estratégicos — estruturas que há anos são defendidas como solução para gargalos históricos de tráfego e alto índice de acidentes. No lugar dos viadutos, o cronograma prevê rotatórias alongadas, acessos e retornos, medidas vistas por críticos como paliativas diante da complexidade do fluxo viário na região.

A mudança representa, na prática, um possível retrocesso no que foi debatido ao longo de audiências públicas e discussões técnicas. Viadutos são considerados essenciais para garantir segurança, reduzir conflitos entre fluxos locais e rodoviários e dar maior fluidez ao trânsito em áreas urbanas e periurbanas. A substituição por rotatórias pode manter pontos de retenção, ampliar o risco de colisões e comprometer a eficiência logística de uma das principais rotas de escoamento da produção regional.

Outro ponto que amplia a preocupação é o cronograma da duplicação da rodovia. Segundo as informações apresentadas, a duplicação começaria apenas no terceiro ano da concessão e, ainda assim, limitada a cerca de 46 quilômetros iniciais. Para uma região que convive há décadas com promessas de melhorias estruturais, o prazo é visto como excessivamente longo e distante da urgência imposta pelo crescimento do tráfego e pelo número de acidentes registrados ao longo dos anos.

Os prejuízos dessa reconfiguração vão além da mobilidade. A BR-116 é um dos principais corredores logísticos do país e exerce papel estratégico para o interior baiano, impactando diretamente o transporte de cargas, o deslocamento intermunicipal e a economia regional. Intervenções que não resolvam de forma definitiva os pontos críticos podem significar mais custos operacionais, atrasos no escoamento de mercadorias e, sobretudo, a manutenção de um cenário de insegurança viária.

Para o movimento Duplica Sudoeste, a sociedade precisa reagir antes que o contrato seja formalizado nos moldes atuais. A avaliação é de que, uma vez firmado, o contrato tende a consolidar as obras previstas, dificultando a inclusão posterior de estruturas mais complexas e onerosas, como os viadutos reivindicados.

A discussão, portanto, não é meramente técnica. Trata-se de definir que tipo de infraestrutura será entregue à população pelos próximos anos: soluções estruturais capazes de transformar a dinâmica da rodovia ou intervenções consideradas insuficientes para a dimensão do problema. O temor é que, sem pressão popular e atuação firme dos representantes políticos, a concessão avance deixando de fora demandas históricas e consolidando um modelo que não responde à real necessidade do sudoeste baiano.

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