De Vitória da Conquista ao Itamaraty: Hiaman Rodrigues é símbolo do talento baiano na diplomacia brasileira
Natural de Vitória da Conquista, Hiaman Rodrigues Silva Santos desponta como um dos novos nomes da diplomacia brasileira. Jovem, dedicado e com sólida formação acadêmica, ele foi aprovado no prestigiado Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) do Ministério das Relações Exteriores, iniciando oficialmente sua trajetória no serviço exterior na segunda quinzena de janeiro de 2026.
Durante a infância e a adolescência, a diplomacia não fazia parte do vocabulário familiar. Como ocorre com muitos jovens do interior, as referências profissionais se concentravam em áreas tradicionais como medicina, engenharia ou direito. Aluno com boas notas, ele chegou a ser visto como um futuro médico, expectativa que começou a ruir ainda no ensino médio, quando testes vocacionais e reflexões pessoais indicaram outros interesses.
As aulas de história, geografia e, especialmente, as discussões sobre geopolítica despertaram a curiosidade por temas internacionais. A partir daí, veio a decisão de cursar Relações Internacionais — escolha que surpreendeu a família e exigiu pesquisa, diálogo e coragem para romper com o caminho esperado. A mudança para São Paulo marcou o início dessa nova fase acadêmica.
Formado em Relações Internacionais, ele optou por não ingressar imediatamente na diplomacia. Aos 22 anos, considerava-se imaturo para assumir uma carreira de Estado. A alternativa foi uma segunda graduação em Economia, que ampliou sua visão de mundo e acrescentou uma camada pragmática à formação humanista. “As áreas se complementam”, explicou, destacando a importância das relações econômicas e comerciais no cenário internacional contemporâneo.
O amadurecimento acadêmico e pessoal levou, então, à decisão definitiva de prestar o concurso do Itamaraty. Foram três tentativas até a aprovação. A primeira, em 2023, mesmo sem preparação específica, garantiu-lhe uma bolsa do programa de ação afirmativa do ministério, voltado a candidatos negros. A iniciativa, criada em 2002, tem ampliado a diversidade racial e social da diplomacia brasileira.
O resultado desse processo já é visível: a turma mais recente é a mais diversa da história do Instituto Rio Branco, com cerca de 30% de diplomatas negros e 46% de mulheres — reflexo também de novas políticas de equidade de gênero adotadas no concurso.
A preparação exigiu rotina intensa de estudos, especialmente em 2025, conciliando o último ano da graduação em Economia na Universidade de São Paulo com o extenso edital do concurso. Além de disciplinas como história, geografia, direito e política internacional, o domínio de idiomas foi decisivo. Ao todo, ele fala seis línguas, incluindo inglês, espanhol, alemão, francês e italiano.
Na entrevista, o novo diplomata também analisou temas centrais da política externa brasileira, como a defesa do multilateralismo, a não intervenção e o papel do país na Organização das Nações Unidas. Para ele, a diplomacia brasileira mantém, ao longo do tempo, princípios consolidados desde o Barão do Rio Branco, o que garante resiliência institucional mesmo em contextos políticos adversos.
O futuro, avalia, é desafiador e promissor. Mudanças climáticas, inteligência artificial, redes sociais e um mundo cada vez mais multipolar exigirão diplomatas preparados, técnicos e abertos ao diálogo. Às novas gerações, deixa um conselho fora do óbvio: cultivar hobbies. Teatro, esporte ou qualquer atividade que desenvolva disciplina, foco e saúde mental podem ser tão importantes quanto o estudo formal.









