Hugo Calderano faz história e leva o Brasil ao segundo lugar do mundo no tênis de mesa

Foto: ITTF World
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 09/02/2026, 02:50h

Hugo Calderano voltou a redefinir os limites do tênis de mesa brasileiro — e mundial. Na mais recente atualização do ranking da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), o carioca de 28 anos alcançou a segunda colocação do mundo, posição inédita para um atleta do Brasil e de todo o continente americano. À sua frente, apenas o chinês Wang Chuqin, atual referência técnica da modalidade.

A ascensão ao vice-liderato global representa mais do que um avanço numérico. Trata-se de um marco histórico: pela primeira vez, um jogador fora do tradicional eixo Ásia–Europa chega ao segundo lugar do ranking mundial. Em um ano simbólico — às vésperas do centenário da ITTF, que será celebrado em 2026 — Calderano se isola como o único atleta das Américas, do Alasca à Terra do Fogo, a figurar no top-2 da modalidade.

“É a primeira vez que chego à segunda colocação do ranking mundial. Estou muito feliz por atingir esse novo marco. Claro que todo atleta quer ser número um, e eu também quero, mas esse passo é extremamente importante”, afirmou Calderano, em entrevista.

Consistência, títulos e maturidade

A nova posição é resultado direto de uma combinação de mérito esportivo e regularidade rara no circuito internacional. Campeão da Copa América recentemente, Calderano também foi beneficiado por tropeços de concorrentes diretos nas competições europeias, mas nada disso diminui o peso de sua trajetória. Desde julho de 2018 no top-10 mundial, ele é hoje o atleta que mais tempo permaneceu entre os dez melhores do planeta, superando sucessivas gerações e renovando seu jogo para se manter competitivo.

“O nível é cada vez mais equilibrado. Manter-se no topo por tanto tempo exige reinvenção constante”, analisa o brasileiro, que se tornou também o mais experiente entre os atuais integrantes do top-10.

O brasileiro que desafiou a China

Calderano entrou definitivamente no seleto grupo dos gigantes do esporte em janeiro de 2022, quando alcançou o top-3 do ranking mundial e passou a ser tratado como o principal desafiante ao domínio chinês. Desde então, empilhou feitos: títulos inéditos, vitórias emblemáticas na Ásia e campanhas históricas em grandes eventos.

Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, esteve a um passo do pódio ao terminar em quarto lugar, após duelos duríssimos contra Truls Möregårdh e Félix Lebrun — dois símbolos da nova geração europeia. Em 2025, confirmou sua maturidade competitiva com um início de temporada avassalador, conquistando o título da Copa do Mundo, em Macau, e o vice-campeonato mundial, em Doha.

Novo clube, novos desafios

O momento histórico também coincide com uma fase de estabilidade técnica e escolhas estratégicas fora da mesa. Para a temporada 2025/2026, Calderano anunciou a transferência para o FC Saarbrücken-TT, da Alemanha, atual campeão da Champions League. A mudança representa mais um passo em sua busca por excelência.

“É um dos melhores clubes da Alemanha e da Europa. Treinar em um ambiente desse nível, com atletas excepcionais, é uma grande motivação”, destacou o brasileiro, que vê na Bundesliga e na Champions League oportunidades decisivas para manter o alto rendimento.

Pressão de líder e inspiração nos grandes

A chegada ao segundo lugar do mundo traz também novos desafios. Entre março e maio, Calderano terá de defender os pontos mais importantes de sua carreira, acumulados justamente em seu melhor momento competitivo. Ao mesmo tempo em que ganha status de segundo cabeça de chave nos principais torneios, passa a conviver com uma pressão inédita.

Ainda assim, o brasileiro demonstra maturidade ao lidar com expectativas e prefere mirar exemplos de longevidade no esporte.

“Os grandes atletas têm vários auges ao longo da carreira. Ver o que Djokovic ou LeBron ainda fazem é inspirador. Mostra que é possível continuar evoluindo”, reflete.

Um legado em construção

Hugo Calderano não apenas atingiu a segunda colocação do ranking mundial. Ele reposicionou o Brasil no mapa do tênis de mesa, rompeu barreiras históricas e provou que excelência não é exclusividade de uma região do mundo. Aos 28 anos, com uma carreira sólida e ainda em plena evolução, o brasileiro segue escrevendo um capítulo inédito do esporte — agora, mais perto do topo do que nunca.

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