Tecnologia com propósito: especialista alerta para uso consciente das telas na educação inclusiva

Entrevista com Juliana Santos no programa Inclusão em Foco discute limites, oportunidades e tendências da tecnologia na aprendizagem de pessoas com deficiência
  • Júnior Patente
  • Atualizado: 22/01/2026, 09:29h

O uso da tecnologia na educação de pessoas com deficiência exige equilíbrio, intencionalidade e, acima de tudo, conhecimento. Esse foi o tom da entrevista concedida pela pedagoga, psicopedagoga, escritora e palestrante internacional Juliana Santos ao programa Inclusão em Foco, exibido pela Mega Rádio VCA e plataformas digitais. Especialista em desenvolvimento infantil e no uso consciente das telas, Juliana trouxe reflexões fundamentais sobre como a tecnologia pode ser aliada — e não vilã — no processo de aprendizagem inclusiva.

Logo no início da conversa, a especialista destacou que nem todo tempo de tela é prejudicial, mas que é preciso saber diferenciar o uso recreativo, terapêutico e pedagógico. Segundo ela, as recomendações de entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Americana de Pediatria indicam zero tempo de tela para crianças de 0 a 2 anos, uma hora diária para crianças de 3 a 5 anos, duas horas para a faixa de 6 a 10 anos e até três horas por dia a partir dos 11 anos.

“A tela deixa de ser terapêutica quando começa a prejudicar o desenvolvimento, causando regressão ou diminuindo os avanços conquistados em terapias e no aprendizado”, explicou Juliana.

Aplicativos que apoiam a alfabetização inclusiva

Durante a entrevista, Juliana Santos apresentou ferramentas digitais que vêm se destacando no apoio à alfabetização de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e outras neurodivergências. Entre os destaques estão SpeakOut Kids, Brain Mouse, ABC Autismo, Lina Educa, Livox e Matraquinha — muitos deles desenvolvidos por brasileiros.

A especialista ressaltou a importância de testar os aplicativos com cada criança, respeitando preferências sensoriais, linguagem, cores e sons. “Cada pessoa tem uma curva de aprendizado única. O que funciona para uma criança pode não funcionar para outra”, afirmou.

Inteligência artificial e ensino personalizado

Outro ponto central da entrevista foi o papel da inteligência artificial (IA) na personalização do ensino. De acordo com Juliana, a tecnologia permite criar planejamentos pedagógicos individualizados de forma mais rápida e estratégica, desde que os educadores tenham acesso a avaliações psicopedagógicas ou neuropsicológicas dos alunos.

“Com dados concretos e o uso adequado da IA, é possível respeitar o ritmo de cada aluno e ajustar o conteúdo conforme sua evolução. Isso é um direito do estudante”, destacou.

Família, equilíbrio e saúde mental

Juliana também chamou a atenção para o papel essencial da família na mediação do uso digital. Para ela, não basta controlar o tempo de tela: é fundamental observar a qualidade do conteúdo e os impactos no comportamento, na comunicação e na interação social.

“Mais tempo de tela significa menos tempo de convivência social. Se houver sinais de regressão, irritabilidade ou isolamento, é hora de reduzir e reavaliar”, alertou.

A especialista ainda orientou pais e educadores a ficarem atentos a estímulos sensoriais excessivos, como sons altos, luzes intensas e movimentos rápidos, que podem causar sobrecarga cognitiva em pessoas neurodivergentes.

Formação de professores e desafios no Brasil

Questionada sobre os gargalos da educação inclusiva no país, Juliana apontou a falta de formação continuada e de tempo para que professores se capacitem no uso de tecnologias educacionais. Apesar da existência de plataformas com cursos gratuitos e certificados, como a VECMA, a sobrecarga de trabalho e as limitações financeiras ainda dificultam o acesso.

Tendências que podem transformar a educação especial

Encerrando a entrevista, Juliana Santos compartilhou tendências internacionais que ainda estão em fase inicial no Brasil, como o uso avançado da engenharia de prompts para IA educacional e as tecnologias imersivas, como a realidade virtual.

“A aprendizagem deixa de ser passiva e passa a ser interativa. O aluno participa, manipula, vivencia. Isso aumenta o engajamento e a qualidade do aprendizado”, afirmou.

A conversa reforça que a tecnologia, quando bem utilizada, pode ser uma poderosa ferramenta para promover inclusão, autonomia e aprendizagem significativa. A entrevista completa com Juliana Santos está disponível no site da Mega Rádio, no YouTube e  Spotify.

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