CONQUISTA: Audiência cobra mais políticas públicas para pacientes com fibromialgia

A vereadora Viviane Sampaio (PT), aproveitou a oportunidade para cobrar do Executivo Municipal a aprovação de leis que visam uma melhor qualidade de vida a essas pacientes

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Doze de maio foi instituído como Dia Mundial da Fibromialgia, data em que se observa um esforço dos centros de saúde, hospitais e clínicas em divulgar a doença. Com esse objetivo, foi realizada na noite desta quinta-feira, 13, por meio do Sistema de Deliberação Remota (SDR), da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, uma Audiência Pública que discutiu políticas públicas voltadas para pacientes com fibromialgia, doença dolorosa, de longa evolução e que acomete cerca de 4% da população mundial. No Brasil, estima-se que 4,8 milhões de pessoas têm fibromialgia, mas apenas 2,5% desse total têm acesso ao tratamento adequado.

A proponente da discussão foi a vereadora Viviane Sampaio (PT), que aproveitou a oportunidade para cobrar do Executivo Municipal a aprovação de leis que visam uma melhor qualidade de vida a essas pacientes. “A implantação das políticas públicas de saúde para atendimento de pessoas com fibromialgia, principalmente no que tange ao atendimento multidisciplinar, vai trazer uma melhor qualidade de vida a essas pessoas”, afirmou.

Falta apoio do Poder Público

O fisioterapeuta Leonardo Xavier chamou atenção para o tratamento da fibromialgia na rede pública de saúde. Ele lamentou a falta de apoio do Poder Público em demandas como o acolhimento de pacientes diagnosticados com a doença. Segundo o fisioterapeuta, a falta de apoio sobrecarrega a sociedade civil em iniciativas de enfrentamento da doença. “Precisamos criar políticas públicas efetivas, que garantam mais qualidade de vida e bem-estar às pessoas que sofrem com a doença. A nossa proposta estabelece ações do município em parceria com a sociedade civil organizada, buscando a conscientização sobre diagnóstico e tratamento multidisciplinar”, afirmou o fisioterapeuta. Ainda segundo Leonardo, uma proposta já foi apresentada à prefeita Sheila Lemos para garantir a continuidade de serviços que acolhem pacientes com essa síndrome.

A fibromialgia aumenta  a probabilidade de  adoecimento psíquico

Dra. Célia Gama, psicóloga do Grupo de Manejo do Sofrimento Psíquico de Pessoas com Fibromialgia, relatou que no início o trabalho voluntário era voltado para as famílias das pessoas portadoras da fibromialgia, mas que com a grande demanda, passou a atender os pacientes com um atendimento psicológico específico. “Geralmente os pacientes e familiares conhecem só o tratamento farmacológico, sendo escasso outros tipos de atendimento”. Relatou que também é portadora da síndrome e sentiu de perto as dificuldades de se obter o tratamento multidisciplinar e pediu mais atenção do poder público no atendimento e acolhimento dessas pacientes.

Imagem Audiência cobra mais políticas públicas para pacientes com fibromialgia

Foto: Câmara Municipal de Vitória da Conquista

Dia de reflexão, comemoração e luta pelos direitos

Maria Margarida, integrante do Grupo de Fibromialgia de Vitória da Conquista, lembrou que 12 de maio é um dia de reflexão, de comemorar  as conquistas já alcançadas e continuar lutando pelos direitos das pessoas com fibromialgia. “Estamos lutando pelos direitos e por mais qualidade de vida, por aprovação de leis e pela busca de médicos reumatologistas, nutricionistas, psicólogos, neurologistas, profissionais do SUS, pois muitos ainda não têm acesso a esses atendimentos”, lamentou. 

Falou sobre os atendimentos voluntários em todas as áreas e disse que muitos serviços ainda não estão disponíveis para todos os acometidos pela doença. 

Portadores de fibromialgia possuem picos de variação da dor

Representando a Faculdade Santo Agostinho, a professora Rosângela Lessa falou sobre o projeto que avalia a qualidade de vida de mais de 100 pacientes de Vitória da Conquista, diagnosticados com a fibromialgia. Ela ressaltou o impacto da dor, provocado pela doença, na qualidade de vida dessas pessoas. "Portadores de fibromialgia possuem picos de variação da dor. Alguns podem levar uma vida aparentemente normal, mas ainda sentindo dor, por isso que ela é dita crônica”, explicou a professora. Em sua fala, ela pontuou que além das dores, a depressão também pode ser uma consequência da doença que acomete um público formado em 90% por mulheres. Rosângela defendeu a possibilidade de cada portador de fibromialgia ser assistido por diversos profissionais de saúde para terem um cuidado mais completo.

Diversos problemas surgem com a fibromialgia

O fisioterapeuta, equoterapeuta e membro do Conselho Municipal de Saúde, Dário de Cassius de Oliveira Sousa, reafirmou seu apoio à causa: “Essa discussão é muito importante porque afeta de forma dolorosa as pessoas, afeta o corpo como o todo”. Relatou o caso de uma colega de trabalho que sofre com a doença e lembrou que a fibromialgia pode afetar muitos pontos, “como no trabalho, devido aos muitos afastamentos para realização de tratamentos, do convívio social, pessoas que precisam de tratamentos que não são baratos, e nem todos podem arcar com essa despesa”. Lembrou que a pessoa com a doença passa a ter outros problemas secundários que também requerem tratamento, por isso um atendimento multidisciplinar, como fisioterapeuta, psicólogo, entre outros. 

Faltam avanços na criação de políticas públicas voltadas para pacientes com fibromialgia

Representando o Conselho Municipal de Saúde, Dra. Maria de Lourdes parabenizou a vereadora Viviane Sampaio (PT) por essa iniciativa e lamentou a falta de avanços na criação de políticas públicas em Vitória da Conquista, apesar dos constantes debates envolvendo a fibromialgia. “Temos que falar nesse momento sobre a possibilidade de fazer algo melhor. Talvez esse seja o momento ideal para levarmos as pautas tratadas aqui para a Diretoria de Atenção Básica do Município, bem como, levarmos essa discussão também para o Conselho Municipal de Saúde”, avaliou Dra. Maria de Lourdes. Ela falou ainda da falta de políticas públicas e os transtornos causados a quem não tem acesso a uma assistência adequada contra a fibromialgia. “Temos muita gente sofrendo com a dor da doença e do desprezo da falta de políticas públicas. Cada momento que a gente passa de sofrimento e privações, a gente vai ser travado em tudo”, lamentou.

Mais de 2% da população brasileira sofrem com a fibromialgia

Ex-vereadora do município de Vitória da Conquista, Diretora da União de Mulheres e Assessora da Fetag (Federação de Trabalhadores na Agricultura), Nildma Ribeiro também cobrou mais políticas públicas para o tratamento da fibromialgia e afirmou que é uma honra abraçar essa causa: “Estudos apontam que a fibromialgia acomete, na maioria das vezes, as mulheres, mais de 2% da população brasileira sofrem com esse problema”, contou. Também falou um pouco sobre o  Projeto Margarida Alves, no Bairro Patagônia, que atende mulheres com fibromialgia. “Essa é uma doença invisível que muitos não conhecem. É necessário que o Poder Executivo acolha essa causa, pessoas que estão na vulnerabilidade social”, disse, relatando as dificuldades dessas mulheres na concessão dos direitos previdenciários, pois muitas não conseguem aposentadoria ou auxílios. E finalizou lembrando a necessidade de um atendimento de saúde para dar qualidade de vida a essas pessoas. “A Câmara já vem fazendo o seu papel, agora precisamos juntar com o Executivo para que possamos, juntos, ajudar essas mulheres”. 

Diagnóstico complexo

Representando a Secretaria Municipal de Saúde, a coordenadora do Centro Municipal de Reabilitação, Bruna Ribeiro, explicou que o diagnóstico da fibromialgia é muito complexo e o tratamento depende da causa. Ela lembrou da importância do tratamento multidisciplinar e dos desafios em garantir o acesso a esses serviços por meio do SUS – Sistema único de Saúde. “Aqui no Centro de Reabilitação temos oferecido o tratamento humanizado, com fisioterapeutas, que trabalha para minimizar esses prejuízos”, afirmou. A coordenadora encerrou sua participação reafirmando o apoio do município a essa causa.

Comprometimento com a qualidade de vida

O vereador Alexandre Xandó (PT) participou da Audiência Pública e informou que o primeiro contato que teve com a fibromialgia foi através do exercício da advocacia e, desde então, passou a se interessar pelo tema. Ele ressaltou a dificuldade do diagnóstico dessa doença e o comprometimento da qualidade de vida desses pacientes sem uma assistência médica adequada. Nesse sentido, Xandó parabenizou a vereadora Viviane por dar visibilidade a essa pauta por meio da audiência. Ele ainda destacou a importância do SUS para garantir acesso a esse tratamento e lamentou a falta de apoio do Poder Público a iniciativas da sociedade civil. “E se tratando da fibromialgia, não dá para esperar. O que vemos hoje é um suporte que tem sido dado pela sociedade civil. No entanto, há poucas ações do Poder Público nesse sentido”, afirmou o vereador.

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