Polícia Federal conclui investigação sobre fraudes no transporte escolar
De acordo com a investigação, a organização criminosa era integrada por servidores da Prefeitura Municipal de Porto Seguro, agentes políticos, empresários e “laranjas”, que desde 2013 vinham direcionando as licitações para uma empresa envolvida no esquema fraudulento
Polícia - 9/02/2018
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Polícia Federal cumpriu mandados em diversas cidades da Bahia (Foto: Arquivo Pessoal)

A Polícia Federal informou que foi concluído na última sexta-feira (2), o inquérito policial referente à “Operação Gênesis”, deflagrada em parceira com  o Ministério Público Federal e a Controladoria Geral da União em agosto do ano passado.

Tal operação visou desarticular organização criminosa especializada em fraudes a licitações e desvio de recursos públicos destinados à contratação de serviços de transporte escolar no município de Porto Seguro, extremo sul da Bahia.

De acordo com a investigação, a organização criminosa era integrada por servidores da Prefeitura Municipal de Porto Seguro, agentes políticos, empresários e “laranjas”, que desde 2013 vinham direcionando as licitações para uma empresa envolvida no esquema fraudulento.

O desvio dos recursos era realizado mediante superfaturamento e posterior subcontratação do objeto da licitação. Foram constatadas ainda irregularidades na prestação dos serviços e a lavagem do dinheiro obtido ilegalmente com os contratos. A empresa foi contratada pelo Município de Porto Seguro há cerca de quatro anos, sendo tal contrato prorrogado sucessivas vezes. Nesse período, a Prefeitura repassou cerca de R$ 37 milhões (trinta e sete milhões de reis) para prestação do serviço de transporte escolar.

Realizada a análise de todo material apreendido no dia da deflagração da operação e ouvidas cerca 65 (sessenta e cinco) pessoas, as condutas criminosas objeto da investigação foram confirmadas, tendo resultado no indiciamento de 21 (vinte e uma) pessoas, pelos delitos tipificados nos artigos 299 (falsidade ideológica), 317, § 1º (corrupção passiva) e 333, § único (corrupção ativa) do Código Penal; artigo 2º da Lei nº 12.850/13 (organização criminosa); artigos 90 e 96, I, da Lei nº 8.666/93 (crimes licitatórios) e artigo 1º da Lei nº 9.613/98 (lavagem de dinheiro).

Também foram decretadas diversas medidas cautelares, tais como a indisponibilidade de bens e valores dos envolvidos.

O inquérito agora será encaminhado ao Ministério Público Federal em Eunápolis, que poderá oferecer denúncia ao juízo competente.

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