‘Não somos números, somos almas’, diz aluno do Colégio Nilton Gonçalves em sessão da câmara
A defesa do não fechamento do Colégio Estadual Nilton Gonçalves vem sendo tema recorrente nas discussões da Câmara Municipal. Para debater com mais profundidade o assunto e escutar membros da comunidade escolar, foi realizada uma sessão especial nesta quarta (6)
Notícias - 6/12/2017
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Alunos e professores do Colégio Estadual Nilton Gonçalves estiveram presentes na sessão da Câmara de Vereadores nesta quarta (6), em defesa do não fechamento da instituição escolar no município. A proposta foi do vereador Jorge Bezerra (SD) e contou com o apoio de todos os vereadores.

O Nilton Gonçalves conta com quase 700 estudantes do ensino fundamental e do médio. No entanto, o governo do estado anunciou que no final deste ano o colégio será fechado. Professores, pais e alunos afirmam que a escola é o único equipamento público naquela região, que muitos não têm condições de se deslocar para outras escolas e poderão sofrer com a rivalidade entre bairros.

O aluno do Colégio Nilton Gonçalves, Gabriel Meira, afirmou que o governador Rui Costa e o secretário de Educação, Walter Pinheiro, são insensíveis. Ele frisou que o Ibirapuera, bairro onde fica o colégio, conta com quase 15 mil habitantes e só tem o Nilton de equipamento público. Ele lamentou ainda que o bairro também viu o Hospital Afrânio Peixoto ser fechado. Para Gabriel, a região oeste de Conquista está esquecida. “Não somos números, somos almas”, falou.

Aluno do Colégio Nilton Gonçalves, Gabriel Meira

Segundo Gabriel, “mataram os nossos sonhos, são anos de história que não se pode esquecer”. O estudante ainda criticou a postura de Ricardo Costa, diretor do Núcleo Territorial de Educação (NTE-20). “Ele foge dos alunos do Nilton Gonçalves”, detalhou. Gabriel afirmou que Ricardo só conversa com os funcionários, esquiva-se dos alunos afirmando que a Secretaria Estadual de Educação irá conversar com eles.

“Mas ninguém veio pedir nossa opinião sobre o colégio”, lamentou. Gabriel explicou que as unidades sugeridas para abrigar os alunos do Nilton estão, em média, a três quilômetros de distância e que os estudantes não têm condições de arcar com as despesas de transporte.

A vice-diretora do Colégio Estadual Nilton Gonçalves, a professora Cristiane Campos Pereira, falou sobre a mobilização e articulação que está sendo realizada contra o fechamento. “Conseguimos ultrapassar os muros da cidade e chamar a sociedade para essa luta”, disse. Ela conta que receberam o apoio da Associação de Moradores do Bairro Ibirapuera, da imprensa conquistense, dos sindicatos, dos deputados estaduais Fabrício Falcão (PCdoB) e José Raimundo (PT), assim como de todos os vereadores da Câmara Municipal. “Todos estão vendo a luta incansável dos alunos, dos professores e de todas estas pessoas”, frisou. Segundo Cristiane, o Colégio acionou também o Ministério Público e a Vara da Infância e da Juventude.

Representante do Coletivo salve o Nilton, Professor Ronaldo Ferraz

O representante do Coletivo salve o Nilton, composta pela comunidade escolar, Professor Ronaldo Ferraz, disse que a escola sofre com o descaso do Governo do Estado. “Nós do Colégio Nilton Gonçalves recebemos em sete de novembro a notícia de que o colégio fechará. A forma como essa notícia chegou demonstra o descaso com o colégio. Chegou através de uma nota da Secretaria Estadual de Educação endereçada a um blog”, contou o professor.

Ainda em sua fala, o professor lembrou que o Governo do Estado fechou recentemente três escolas: Maria Viana, Marcelo Rangel Pestana e Dirlene Mendonça.

“Pesava menos o fato de ao lado delas (das escolas) estavam escolas vizinhas para receber os alunos. Esse não é o caso do Nilton Gonçalves”, analisou Ferraz, lembrando que o Nilton Gonçalves é o único colégio que atende aos alunos daquela região.

Representando o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia – APLB, Cesár Nolasco afirmou que a questão do Nilton Gonçalves é uma luta antiga. “Desde 2010, estamos nessa mobilização para a construção da sede própria para o Colégio. Conseguimos a doação do terreno, esperamos que o Estado construísse, mas nada foi feito”, contou. Para ele, o fechamento do Nilton Gonçalves é ainda mais agravante pelo fato de ser única escola de ensino médio da região. “Imagina se os alunos do EJA, que só podem estudar a noite, pararem de estudar por isso?”, questionou. Em nome da APLB e demais sindicatos, César afirmou continuar na mobilização para evitar o fechamento do Colégio.

Representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia – APLB, Cesár Nolasco

O advogado Rui Medeiros lembrou que infelizmente ainda hoje, há casos registrados de pessoas que chegam ao final do ensino fundamental com analfabetismo funcional. “Muitos saem na condição de analfabeto funcional, incapaz de entender um texto, entender uma mensagem. Temos ainda um número injustificável de analfabetos”, lamentou Medeiros.

Rui Medeiros disse ainda ser lamentável que Vitória da Conquista, terceira maior cidade do estado, com histórico de resistência à ditadura, esteja sofrendo com a imposição do fechamento de uma escola estadual.

“Aqui em Vitória da Conquista, terceira maior cidade da Bahia, onde houve a maior resistência democrática no interior de nosso estado diante da Ditadura Militar, sem ouvir professores, estudantes, moradores do bairro, sem sequer consultar as autoridades da área educacional, se resolve fechar uma escola de tanta importância como a escola Nilton Gonçalves. É uma coisa muito lamentável”, disse. “Educação não se faz sem diálogo, sem democracia”, emendou.

Advogado Rui Medeiros

Antes de concluir o seu pronunciamento, Rui Medeiros pediu que a sociedade leve a luta adiante para evitar o encerramento das atividades

 

 

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